sábado, 5 de setembro de 2009

Por Una Cabeza

Por Una Cabeza

Carlos Gardel

Composição: Alfredo Le Pera

Por una cabeza
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidéis, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y risueña mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.

Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme
mil veces la vida,
para qué vivir.

Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo jugué mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirar
me hiere al pasar,
sus labios de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
ya no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero.
¡Qué le voy a hacer..!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A Casa

Diariamente quando vou para a faculdade passo sempre pelo mesmo bairro. E nesse bairro tem uma casa que...ah que maravilha de casa! Nelson Rodrigues, como bom arquiteto que era, ficaria orgulhoso dessa construção.

As linhas são perfeitas, o acabamento parece ser de outro mundo, com certeza o arquiteto que construiu a casa não só era muito competente mas também trabalhou nessa obra-prima com cuidado e zelo extraordinários.

Não que nesse bairro não haja outras casas, algumas são bonitinhas, outras embora sejam mais feias têm formas muito bem desenhadas, mas nenhuma se compara àquela casa.

As vezes tenho vontade de parar e tocar a campainha, mas pra que iria conhecer outra casa se já tenho a minha? Mas um dia desses mando tudo às favas, cometo uma loucura, e toco a campainha.

E se por acaso for convidado a entrar é bem possível que me mude pra lá para sempre. Olhando pra essa casa consigo entender o sonho da casa própria...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Universidade Pública Contrata

Você, jovem profissional, de futuro incerto e capacidade duvidosa, venha se juntar a nós na perpetuação do ciclo de idiotice que se estabeleceu neste país. Procuramos profissionais monocórdicos, insossos e desinteressados. Embora não seja pré-requisito, um fracasso retumbante em empresa ou universidade particular, será considerado diferencial na escolha.

Após se juntar aos nossos quadros você usufruirá de diversos benefícios tais como: reclamar da baixa remuneração, usufruir do prestígio de formar o futuro intelectual tupiniquim, fornicar com alunos, não ter que trabalhar em dias de seminários e quorum para externalização de bobagens pois contamos com o sistema de presença mínima necessária para aprovação.

É claro que nem tudo são flores, existem alguns que insistem em destoar de nossa política, ministrando aulas de qualidade, mas estes estão sendo incansavelmente perseguidos, e cedo ou tarde sucumbirão ao classismo, burocracia e politicagem.

Entre nossos colaboradores a habilidade política é altamente valorizada, e está presente desde casos mais simples como conseguir uma sala maior, até problemas mais complexos como troca de favores e acobertamento das falhas alheias.

Pelos motivos acima expostos, buscamos você, que pensa em uma vida melhor para si mesmo. Venha unir-se a elite intelectual nacional. Tenha a mesma profissão de todos os famosos autores cujos livros você finge ter lido. Habilidades de comunicação e transmissão do conhecimento são desnecessárias.


PS: Faz-se necessária a aprovação em concurso público mas esse não representa dificuldades para profissionais tão aptos.


terça-feira, 1 de setembro de 2009

WOODSTOCK

Recentemente celebrou-se o aniversário dos 40 anos do festival de Woodstock (ou Bethel, como preferirem). Uns comemoraram como símbolo de uma era, outros com o saudosismo de tempos que não voltam mais e uns poucos ainda criticaram o festival alegando-se que se criou em torno deste um mito que não existiu, ou pelo menos não da forma como foi retratado.

Na verdade não importa muito se o festival ocorreu da forma como retratado por Martin Scorsese, talvez ele não tenha sido tão lúdico, talvez tenha sido apenas um monte de bandas e hippies reunidos no meio da desorganização para usarem drogas desenfreadamente, mas isso tudo é irrelevante.

O que realmente importa é que naquela época toda uma geração teve um sonho. Não qualquer sonho, um sonho de paz, de um mundo diferente onde as pessoas fossem julgadas pelo que são, e não pelo que têm, um sonho de desapego, onde todos esses elementos eram unidos pelo amor universal.

Acho engraçado como as pessoas nomeiam Woodstock como um festival de contracultura. Ou seja, a cultura que deveria ser a dominante na verdade é chamada contracultura, pois a cultura vigente apregoa o individualismo, o materialismo, e outras coisas que em nada contribuem para a melhoria da humanidade como um todo.

Aquela geração (ou parte dela) pode se orgulhar de ter sonhado. Não importa o quão grande ou difícil de atingir fosse esse sonho. Eles tentaram. E fizeram a parte deles. Não sou pessimista a ponto de afirmar que as novas gerações não têm mais esse sonho. Apenas acho que ele se encontra adormecido esperando alguma coisa acordá-lo...quem sabe um festival de música?

DO INÍCIO

Olá a todos os milhões de fãs que virão a freqüentar esse blog (?!?). Hoje, 02/09/2009 o SOBVERSIVO inicia os seus trabalhos. Desde já, vos aviso que este serve de desabafo para as minhas reflexões e neuroses diárias e não para enriquecer culturalmente os leitores. Sem nenhuma expectativa por parte dos leitores o que vier é lucro, e ninguém pode me cobrar nada. Aliás, nesse ponto posso ser questionado: já que este blog nada acrescenta para os leitores do mesmo e a sua única necessidade é aliviar suas tensões porque não aliviá-las em um caderno? E eu vos respondo, porque o ser humano é um hipócrita por natureza, e que, como todo bom hipócrita, deseja reconhecimento para cada uma de suas mínimas ações. Em segundo, uma vez que nesse país até a Malu Magalhães faz sucesso porque eu não faria? Eu tenho tudo o que é necessário para o sucesso, ou seja, a ausência total de qualquer tipo de talento. Por fim e o mais importante, nesse mundo politicamente correto não existe lugar para o anonimato e, graças a isso, a ironia e o sarcasmo foram abandonados e, desde de Voltaire, não temos nada de bom nesse sentido. Ainda que não me compare ao supracitado mestre quem sabe não podemos retomar a graça dos velhos tempos? Portanto todas as postagens serão anônimas, o que é muito bom, porque me impede de mandar e-mail para os conhecidos pedindo para acessarem o blog.

Atenciosamente,

O Subversivo.

PS: Antes que duvidem da minha já duvidosa inteligência eu sei que o correto é subversivo, mas não resisti à possibilidade de brincar um pouco com o prefixo e a preposição.